É uma das perguntas que mais se faz depois do primeiro episódio. Quem acorda sem se conseguir mexer, com dificuldade em respirar fundo e a sensação de que alguém está no quarto, fica naturalmente convencido de que algo muito grave está a acontecer. A resposta, na grande maioria dos casos, é tranquilizadora.
A paralisia do sono isolada, ou seja, aquela que surge de vez em quando numa pessoa saudável, é considerada benigna pela medicina. Não danifica o cérebro nem o coração, não provoca asfixia e não há registo de alguém que tenha morrido por causa de um episódio. A respiração continua a funcionar sozinha durante toda a experiência, mesmo quando a sensação é de estar a sufocar.
Também é mais comum do que se pensa. Uma revisão de estudos publicada em 2011 estimou que cerca de 8 em cada 100 pessoas passam por ela pelo menos uma vez na vida, com valores bem mais altos entre estudantes e pessoas com perturbações de ansiedade.
O verdadeiro impacto é outro: o medo. Um episódio intenso pode deixar a pessoa assustada durante dias, com receio de adormecer, e isso sim pode prejudicar o sono e a qualidade de vida.
Há, no entanto, situações em que vale a pena falar com um médico:
• Episódios muito frequentes, várias vezes por semana.
• Sonolência forte durante o dia ou adormecer sem querer em situações normais.
• Perda súbita de força nos músculos quando se ri ou se sente uma emoção forte.
• Ressonar intenso ou pausas na respiração notadas por quem dorme ao lado.
Estes sinais podem estar ligados a outras perturbações do sono, que têm tratamento e devem ser avaliadas por um profissional.
Resumindo: assustadora, sim; perigosa, em regra, não. Saber isto já ajuda muita gente a viver os episódios com menos pânico, e muitas vezes, com menos pânico, eles tornam-se mais curtos e menos frequentes.
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