Há pessoas que, depois de um episódio de paralisia do sono particularmente assustador, começam a olhar para a cama com desconfiança. Adiam a hora de deitar, dormem com a luz ou a televisão ligada, acordam várias vezes para verificar se está tudo bem. Sem se darem conta, entram num ciclo difícil de quebrar.
A relação entre paralisia do sono e ansiedade funciona nos dois sentidos. Por um lado, os estudos mostram que os episódios são mais comuns em quem vive períodos de stress, ansiedade elevada ou acontecimentos traumáticos. Por outro, os próprios episódios geram medo, e esse medo prejudica o sono.
O mecanismo é simples de perceber. Quem tem receio de adormecer deita-se tenso, demora mais a adormecer e acorda mais vezes. O sono fica fragmentado e insuficiente. E a privação de sono e os horários irregulares são precisamente dos fatores mais associados à paralisia do sono. O medo cria as condições para que o episódio se repita.
A interpretação também conta. Estudos feitos em vários países mostram que quem acredita estar a ser atacado por uma entidade tende a sentir mais medo durante os episódios e mais angústia depois. Não se trata de desvalorizar a fé de ninguém, mas de perceber que a forma como pensamos sobre a experiência influencia o seu peso.
Algumas estratégias ajudam a quebrar o ciclo:
• Manter horários regulares de sono, mesmo ao fim de semana.
• Criar uma rotina calma antes de deitar, longe de ecrãs.
• Durante um episódio, lembrar que é passageiro e concentrar-se na respiração.
• Falar sobre a experiência com alguém de confiança.
Se o medo de dormir se tornou constante, se a ansiedade está a afetar o dia a dia ou se os episódios são muito frequentes, o passo certo é procurar um médico ou um psicólogo. Há abordagens que ajudam bastante, e ninguém tem de enfrentar sozinho as noites mais difíceis.
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