Todas as noites, sem darmos por isso, o nosso corpo fica praticamente paralisado várias vezes. Não é uma avaria: é um mecanismo de proteção. E é precisamente este mecanismo que está por detrás de muitas histórias de demónios, pesadeiras e presenças noturnas.
O sono não é igual do princípio ao fim. Divide-se em ciclos de cerca de noventa minutos, e em cada ciclo há uma fase especial chamada REM, do inglês "rapid eye movement", movimentos oculares rápidos. Foi descrita em 1953 pelos investigadores norte-americanos Eugene Aserinsky e Nathaniel Kleitman, que repararam que os olhos dos voluntários se mexiam de forma rápida durante certos períodos do sono.
É durante a fase REM que acontecem os sonhos mais vivos e mais longos. O cérebro fica muito ativo, quase como se estivesse acordado. Para impedir que o corpo execute os movimentos sonhados, o tronco cerebral envia sinais que bloqueiam os músculos voluntários. Chama-se a isto atonia muscular. Só ficam a funcionar os músculos da respiração e os dos olhos.
Os cientistas têm uma prova clara da importância deste bloqueio: existe uma perturbação, descrita nos anos 1980, em que a atonia falha e as pessoas mexem-se, gritam e dão murros ou pontapés enquanto sonham, podendo magoar-se a si ou a quem dorme ao lado.
A paralisia do sono é o problema contrário. A mente acorda, total ou parcialmente, enquanto a atonia ainda está ligada. A pessoa está consciente, mas o corpo continua "desligado". E como o cérebro ainda está em modo de sonho, podem surgir imagens, sons e sensações muito realistas.
É por isso que, em quase todas as culturas, a experiência é descrita da mesma forma: não conseguir mexer-se, sentir dificuldade em respirar fundo e ver algo no quarto. Não é a criatura que causa a paralisia; é a paralisia, somada ao sonho, que cria a criatura.
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