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CASO Nº0705 Em Investigação

Paralisia do sono e experiências fora do corpo

Primeiro vem a imobilidade. Depois, um zumbido crescente, uma vibração que percorre o corpo inteiro. E de repente a sensação de flutuar, de subir até ao teto e, em alguns casos, de ver o próprio corpo deitado lá em baixo. Quem viveu isto dificilmente o esquece.
As experiências fora do corpo, ou projeções astrais como lhes chamam várias correntes espirituais, estão muitas vezes ligadas à paralisia do sono. O psicólogo canadiano J. Allan Cheyne, que recolheu milhares de relatos, dividiu as alucinações destes episódios em três grandes grupos: a presença intrusa, a pressão no peito e as sensações de movimento, como flutuar, cair, rodar ou sair do corpo.
Para o espiritismo e para muitas tradições esotéricas, estas sensações são o espírito a desprender-se da matéria. A paralisia seria o momento de passagem, e as vibrações o sinal de que a alma está prestes a "sair". Há livros inteiros dedicados a ensinar a provocar estas saídas conscientemente.
A neurociência propõe outra explicação. A nossa noção de estar dentro do corpo é construída pelo cérebro, que junta a todo o momento informação da visão, do equilíbrio e da posição dos membros. Quando essa integração falha, a perceção pode "desligar-se" do corpo. Em 2002, uma equipa liderada pelo neurologista Olaf Blanke descreveu na revista Nature o caso de uma doente que, ao ter uma zona do cérebro estimulada eletricamente durante exames, sentiu que flutuava e se via de cima.
Durante a paralisia do sono, o cérebro está numa espécie de estado misto, entre o sonho e a vigília, e o sistema que regula o equilíbrio parece participar nessas sensações de movimento. Isso ajuda a explicar porque é que a sensação de sair do corpo surge tantas vezes precisamente aí.
Nada disto responde à pergunta de fundo que muitos fazem: haverá algo em nós que possa realmente separar-se do corpo? A ciência diz que não encontrou provas disso. Quem viveu a experiência, muitas vezes, continua convencido de que sim.
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