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CASO Nº0704 Em Investigação

Paralisia do sono e sonhos lúcidos: duas portas para o mesmo lugar

Para a maioria das pessoas, a paralisia do sono é uma experiência a evitar a todo o custo. Mas há um grupo de curiosos que a procura de propósito: os praticantes de sonhos lúcidos, ou seja, sonhos em que se tem consciência de estar a sonhar e, por vezes, se consegue controlar o que acontece.
A expressão "sonho lúcido" foi popularizada pelo psiquiatra neerlandês Frederik van Eeden, num artigo de 1913. Durante décadas foi vista com desconfiança, até que, nos anos 1970 e 1980, investigadores como Keith Hearne, em Inglaterra, e Stephen LaBerge, nos Estados Unidos, demonstraram em laboratório que pessoas a dormir em fase REM conseguiam enviar sinais combinados com os olhos, provando que estavam conscientes dentro do sonho.
A ligação à paralisia do sono está na fase REM. Nos dois casos, o corpo está imóvel e o cérebro muito ativo. A diferença é o grau de consciência: na paralisia, a pessoa está acordada mas presa ao corpo; no sonho lúcido, está consciente mas dentro do sonho.
Alguns praticantes usam técnicas de indução em que tentam passar diretamente da vigília para o sonho, mantendo a mente desperta enquanto o corpo adormece. Pelo caminho, é frequente atravessarem uma fase de paralisia, com zumbidos, vibrações e imagens estranhas. Para eles, isso é sinal de que a "porta" está a abrir.
Há também quem faça o caminho inverso: durante um episódio de paralisia, em vez de lutar, relaxa e deixa-se levar para um sonho, ganhando lucidez. Muitas pessoas relatam que assim o medo se transforma em curiosidade.
Convém ter prudência. Nem toda a gente reage bem a estas experiências, e forçar o sono de forma repetida pode prejudicar o descanso. Quem sofre de ansiedade ou tem episódios frequentes de paralisia deve privilegiar dormir bem e, se preciso, falar com um médico. Ainda assim, a ligação entre os dois fenómenos mostra como a fronteira entre sono e vigília é mais fina do que imaginamos.
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