Se perguntares a alguém mais velho de uma aldeia do Norte como evitar a Pesadeira, a resposta vem quase sempre na mesma ordem: não comas muito à noite e não durmas de costas. Durante muito tempo, os médicos sorriram perante estes conselhos. Hoje, sabe-se que a sabedoria popular não andava longe da verdade.
Vários estudos sobre paralisia do sono encontraram a mesma tendência: a posição mais associada aos episódios é a de barriga para cima, chamada posição supina. Uma parte significativa das pessoas que já tiveram paralisia do sono diz que estava deitada de costas quando aconteceu, mesmo que não seja a posição em que costumam adormecer.
Porque é que isto acontece ainda não está totalmente esclarecido. Uma das hipóteses é que, de costas, as vias respiratórias ficam mais facilmente parcialmente obstruídas, o que pode provocar microdespertares durante a noite. Cada um desses despertares é uma oportunidade para a mente acordar enquanto o corpo ainda está na paralisia natural dos sonhos.
Outra explicação tem a ver com a própria sensação de peso no peito. Deitado de costas, com a respiração mais superficial, o cérebro pode interpretar o esforço de respirar como algo que o esmaga. Daí a figura de alguém sentado em cima de nós.
E o jantar pesado? A ligação é menos direta, mas faz sentido: uma digestão difícil, o álcool e as refeições tardias perturbam o sono e aumentam os despertares noturnos. O resultado é um descanso mais fragmentado — terreno fértil para a paralisia.
Então, a Pesadeira prefere quem dorme de costas? A ciência não fala em criaturas, mas confirma o padrão. Quem tem episódios frequentes pode experimentar dormir de lado; há quem use uma almofada encostada às costas para não rodar durante a noite. Se os episódios forem muito frequentes ou houver ressonar forte e cansaço durante o dia, vale a pena falar com um médico.
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