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CASO Nº0700 Confirmado

A Mara e a origem da palavra inglesa "nightmare"

Quando um inglês diz que teve um "nightmare", está, sem saber, a falar de um ser sobrenatural. A palavra não tem nada a ver com cavalos, apesar de "mare" significar égua em inglês moderno. O "mare" de "nightmare" é outra coisa: um espírito que se sentava no peito de quem dormia.
No inglês antigo existia a palavra "mære", e no nórdico antigo "mara". Ambas designavam uma criatura noturna, geralmente feminina, que visitava as pessoas durante o sono, lhes esmagava o peito e as deixava sem ar. A mesma raiz aparece em várias línguas europeias, do alemão ao neerlandês e às línguas eslavas.
A mara surge numa das sagas nórdicas mais antigas. Na "Ynglinga saga", escrita por Snorri Sturluson no século XIII, conta-se que o rei sueco Vanlandi foi morto por uma mara enviada por feitiçaria: a criatura calcou-o durante o sono até à morte. É um dos registos escritos mais antigos desta crença no Norte da Europa.
Na Escandinávia acreditava-se também que a mara montava cavalos durante a noite, deixando-os exaustos e com as crinas emaranhadas pela manhã. Talvez daqui venha a confusão posterior entre a mara e a égua, reforçada pela célebre pintura "O Pesadelo", de Henry Fuseli, de 1781, onde uma cabeça de cavalo espreita por trás de uma cortina enquanto um demónio se senta sobre uma mulher adormecida.
O francês tem uma palavra parente: "cauchemar". A segunda parte vem da mesma raiz, e a primeira de um verbo antigo que significava calcar ou pressionar. O português, por seu lado, escolheu o caminho do peso: "pesadelo" e Pesadeira vêm de "pesar".
Com o passar dos séculos, "nightmare" perdeu o seu monstro e passou a significar qualquer sonho mau. Mas a palavra guarda, como um fóssil, a memória de um tempo em que acordar sem ar tinha um culpado com nome próprio.
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