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CASO Nº0685 Confirmado

Alucinações hipnagógicas e hipnopômpicas: as visões da fronteira do sono

Entre estar acordado e estar a dormir existe uma zona curta e estranha, onde a mente já não está totalmente no mundo real mas ainda não entrou no sonho. É nesse limiar que surgem as alucinações hipnagógicas e hipnopômpicas, duas palavras difíceis para fenómenos que muita gente conhece sem saber o nome.
As hipnagógicas acontecem ao adormecer. O termo foi criado em 1848 pelo estudioso francês Alfred Maury, a partir do grego "hypnos" (sono) e "agōgos" (condutor): aquilo que conduz ao sono. As hipnopômpicas acontecem ao acordar; a palavra foi proposta em 1904 pelo investigador britânico Frederic Myers, com "pompos", que significa "o que envia".
Estas experiências podem envolver qualquer sentido:
• Visuais: luzes, padrões geométricos, rostos, figuras, animais.
• Auditivas: ouvir o próprio nome, vozes, campainhas, estrondos.
• Táteis: toques, pressão, sensação de algo a andar na cama.
• De movimento: cair, flutuar, rodar.
Um exemplo muito comum é o "sobressalto" de quem sente que tropeça ou cai enquanto adormece e acorda de repente. Outro é ouvir alguém chamar quando a casa está em silêncio.
Estas alucinações são frequentes na população geral e, na grande maioria dos casos, não indicam qualquer doença. Tornam-se mais prováveis com falta de sono, stress e horários irregulares. Quando se juntam à paralisia do sono, ganham um peso emocional enorme, porque a pessoa não se consegue mexer para "confirmar" que não há nada.
Historicamente, muitas destas visões foram interpretadas como aparições, visitas de mortos ou ataques de demónios. Também artistas e escritores se interessaram por este estado intermédio, pela riqueza das imagens que produz.
Se estas experiências forem muito frequentes, muito angustiantes ou vierem acompanhadas de sonolência forte durante o dia, vale a pena falar com um médico. De resto, são apenas um sinal curioso de que o cérebro nunca desliga de uma só vez.
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