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CASO Nº0684 Em Investigação

A sensação de "presença" no quarto: o que a ciência descobriu

Não se vê nada, não se ouve nada — e, no entanto, sabe-se que há alguém ali. A sensação de presença é uma das experiências mais estranhas que o ser humano pode viver, e não acontece só durante o sono. Montanhistas em altitude, exploradores polares e náufragos também a descrevem.
Durante muito tempo, esta sensação foi vista apenas como prova do sobrenatural. Nas últimas décadas, porém, a neurociência começou a estudá-la de forma sistemática, e as descobertas são surpreendentes.
Em 2006, uma equipa da Suíça relatou o caso de uma doente que, durante uma avaliação médica, sentiu uma "pessoa" atrás de si quando os médicos estimularam eletricamente uma zona do cérebro chamada junção temporoparietal. A figura imitava a sua postura, como uma sombra.
Anos depois, em 2014, investigadores de Lausana, liderados por Olaf Blanke, foram mais longe. Criaram um sistema robótico que tocava nas costas dos voluntários com um pequeno atraso em relação aos movimentos que eles próprios faziam com as mãos. Esse desfasamento confundia o cérebro, e muitos participantes começaram a sentir que havia alguém atrás deles — alguns chegaram a pedir para parar a experiência.
A conclusão é que o cérebro constrói constantemente um "mapa" do nosso corpo no espaço. Quando esse mapa falha, uma parte de nós pode ser interpretada como outra pessoa. Na paralisia do sono, os sinais do corpo estão baralhados — os músculos estão desligados, mas a mente está desperta —, o que cria condições ideais para este erro.
Isto não significa que todas as experiências de presença estejam explicadas. Mas mostra que a sensação pode ser produzida pelo próprio cérebro, sem nada de exterior.
Para quem acredita no sobrenatural, a questão continua aberta. Para a ciência, a "presença" é uma janela fascinante sobre a forma como sabemos onde acaba o nosso corpo — e onde começa o mundo.
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