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CASO Nº0683 Em Investigação

Porque é que se veem vultos durante a paralisia do sono?

De todos os elementos da paralisia do sono, nenhum assusta tanto como o vulto. Uma figura escura ao pé da porta, uma sombra inclinada sobre a cama, um rosto sem traços a olhar fixamente. Porque é que o cérebro escolhe precisamente esta imagem?
A primeira parte da resposta está no próprio estado do cérebro. Durante a paralisia, estamos meio acordados e meio a sonhar. Os olhos veem o quarto real, mas os circuitos do sono REM continuam a produzir imagens. O resultado é uma mistura: o cenário é verdadeiro, a figura é criada.
A segunda parte tem a ver com o medo. Nestes episódios, a amígdala — a zona do cérebro ligada à deteção de ameaças — está muito ativa. O cérebro sente que algo está errado (não nos conseguimos mexer) e procura uma causa. Como estamos programados para detetar perigos, a explicação mais rápida é "há um intruso". O vulto é, de certa forma, a resposta do cérebro a uma pergunta que ele próprio fez.
O psicólogo canadiano J. Allan Cheyne, que estudou milhares de relatos, agrupou estas alucinações em três tipos: o "intruso" (presença, vultos, sons), o "íncubo" (pressão no peito e dificuldade em respirar) e as sensações de movimento (flutuar, cair, sair do corpo). O vulto pertence ao primeiro grupo, e costuma aparecer junto com a sensação de presença.
Há ainda um fator visual: no escuro, a visão perde pormenor, e o cérebro completa as formas com o que espera ver. Roupa pendurada, uma cadeira ou uma sombra na parede transformam-se facilmente numa silhueta humana.
A cultura dá o acabamento. Em Portugal, o vulto pode ser a Pesadeira; noutros países, uma bruxa velha, um espírito ou um "homem do chapéu".
Nada disto torna a experiência menos real para quem a vive. Mas perceber o mecanismo ajuda muitas pessoas a lembrar-se, no momento, de que o vulto vai desaparecer em segundos.
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