Imagina que acordas, abres os olhos, vês o teu quarto — mas o corpo não obedece. Não consegues mexer os braços, nem falar, nem gritar. Isto é a paralisia do sono, e a explicação é mais simples do que parece.
Durante a noite, o sono passa por várias fases. Numa delas, chamada REM (do inglês "movimento rápido dos olhos"), é quando temos os sonhos mais vivos. Para não "representarmos" os sonhos — levantar, correr, dar pontapés —, o cérebro desliga quase todos os músculos voluntários. É uma proteção natural e acontece a toda a gente, todas as noites.
A paralisia do sono surge quando a mente acorda antes de esse "interruptor" voltar a ligar os músculos. Por instantes, estamos conscientes, mas o corpo continua no modo REM. Só os olhos e a respiração funcionam normalmente, embora muitas pessoas sintam que respiram com dificuldade.
Como parte do cérebro ainda está a sonhar, podem aparecer imagens e sons muito reais: vultos, vozes, passos, a sensação de alguém sentado na cama. É por isso que tantas culturas interpretaram estas experiências como visitas de demónios, bruxas ou espíritos.
Os episódios duram normalmente de alguns segundos a poucos minutos e terminam sozinhos. Estudos de revisão estimam que cerca de uma em cada treze pessoas terá pelo menos um episódio na vida, e a percentagem é bem mais alta em estudantes, provavelmente por causa da falta de sono.
Os fatores que tornam a paralisia mais provável são conhecidos: dormir pouco, horários irregulares, trabalho por turnos, stress, ansiedade e dormir de barriga para cima.
Na maioria das pessoas, é uma experiência isolada e inofensiva, apesar do susto. Se acontecer muitas vezes ou vier acompanhada de sonolência intensa durante o dia, deve ser avaliada por um médico. Conhecer o mecanismo não tira o arrepio — mas ajuda muito a perder o medo.
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