Poucos mitos têm um percurso tão longo e tão bem documentado. Seguir o íncubo e o súcubo ao longo dos séculos é também seguir a forma como a humanidade explicou o sono, o desejo e o medo.
• Mesopotâmia antiga — Textos sumérios e acádios falam de espíritos noturnos como os "lilû" e as "lilītu". A Lista Real Suméria chega a dizer que o pai de Gilgamesh era um "lillu", uma espécie de ser fantasma.
• Antiguidade judaica — O nome Lilith aparece uma única vez na Bíblia hebraica, em Isaías 34:14. Mais tarde, a tradição associa-a à sedução dos homens durante o sono.
• Século V — Santo Agostinho, na "Cidade de Deus", comenta que os relatos sobre demónios que se unem a mulheres eram tão comuns que seria imprudente negá-los.
• Século XII — Geoffrey de Monmouth, na sua "História dos Reis da Bretanha", conta que o mago Merlim seria filho de um íncubo.
• Século XIII — Tomás de Aquino discute na "Suma Teológica" como estes demónios poderiam interagir com os humanos. No mesmo século, o Zohar desenvolve a figura de Lilith na Cabala.
• 1486 — O "Malleus Maleficarum" liga os íncubos às acusações de bruxaria, com consequências trágicas durante a caça às bruxas.
• Século XVII — O frade Ludovico Maria Sinistrari escreve "De Daemonialitate", um tratado dedicado ao tema, que só seria publicado no século XIX.
• 1781 — Henry Fuseli pinta "O Pesadelo", fixando a imagem do demónio sentado no peito de quem dorme.
• Século XIX — O termo "alucinação hipnagógica" é criado por Alfred Maury em 1848, abrindo caminho à explicação médica.
• Séculos XX e XXI — A investigação sobre a paralisia do sono mostra que muitas "visitas" têm base neurológica, enquanto a cultura pop transforma o súcubo em personagem de séries e videojogos.
Da tábua de barro ao ecrã, o mito mudou de roupa muitas vezes. Mas a experiência que o alimenta continua igual.
0 respostas
Ainda ninguém respondeu. Sê a primeira pessoa a comentar.
Entra para responder a este relato.