Na Europa dos séculos XV a XVII, a figura do súcubo deixou de ser apenas um tema de teologia e passou a servir de prova em tribunal. Nos processos por bruxaria, a relação com demónios era apresentada como a marca do pacto com o diabo.
O texto que mais contribuiu para esta ideia foi o "Malleus Maleficarum" (1486), escrito pelo inquisidor dominicano Heinrich Kramer. O livro dedica longas páginas às relações entre bruxas e íncubos, defendendo que eram parte do compromisso feito com o demónio. Os súcubos aparecem sobretudo associados aos homens acusados de feitiçaria.
Depois dele vieram outros tratados influentes. Jean Bodin publicou "Da Demonomania dos Feiticeiros" (1580); Nicolas Rémy, juiz na Lorena, escreveu a "Daemonolatreia" (1595); e o jesuíta Martín del Río compôs as "Disquisitiones Magicae" (1599-1600). Todos discutiam a realidade destes encontros e a sua ligação ao sabá.
A lógica era simples e terrível. O pacto seria selado no sabá, onde o diabo se uniria aos presentes, e depois continuaria através das visitas noturnas de demónios. Admitir, sob interrogatório, um encontro desse tipo equivalia a confessar bruxaria.
Hoje os historiadores sabem que muitas destas confissões foram obtidas sob tortura, pressão ou medo, e que os interrogadores conduziam as respostas com perguntas feitas à medida dos manuais. Milhares de pessoas, na maioria mulheres, foram executadas na Europa durante este período.
Houve também vozes críticas na época. O médico Johann Weyer, em "De Praestigiis Daemonum" (1563), defendeu que muitas acusadas sofriam de perturbações e não mereciam a fogueira. Recordar estas histórias ajuda a perceber como uma crença sobre o sono e o desejo se transformou numa das páginas mais sombrias da história europeia.
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