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CASO Nº0667 Confirmado

O que a ciência diz sobre os relatos de súcubos

Uma presença feminina no quarto, um peso sobre o corpo, a impossibilidade de gritar e, por vezes, sensações de carácter sexual. Os relatos de visitas de súcubos têm uma consistência que intriga, e a ciência tem uma explicação sólida para boa parte deles.
O principal suspeito é a paralisia do sono. Durante a fase REM, em que ocorrem os sonhos mais vívidos, o cérebro bloqueia os músculos do corpo para que não "representemos" os sonhos. Por vezes, a pessoa desperta parcialmente antes de esse bloqueio terminar: está consciente, mas não se consegue mexer. Uma revisão de estudos publicada em 2011 estimou que cerca de 8% da população geral passa por isto pelo menos uma vez na vida, com valores bem mais altos entre estudantes.
Nesse estado de transição surgem com frequência alucinações. Os investigadores dividem-nas em três grupos: a sensação de uma presença intrusa, a pressão no peito com dificuldade em respirar, e sensações de movimento ou de sair do corpo. A primeira e a segunda correspondem quase ponto por ponto à descrição clássica do íncubo e da súcuba.
O folclorista norte-americano David Hufford estudou este fenómeno na Terra Nova, no Canadá, onde era conhecido como "Old Hag", e publicou em 1982 o livro "The Terror That Comes in the Night". Mostrou que a experiência tinha as mesmas características em pessoas que nunca tinham ouvido falar da lenda, o que sugere uma base fisiológica comum.
A componente sexual também tem explicação. Durante o sono REM há alterações fisiológicas normais, incluindo excitação, e os sonhos eróticos são comuns em homens e mulheres. Somados à paralisia e ao medo, podem criar uma experiência muito perturbadora.
A ciência não diz que as pessoas inventam o que viveram; diz que a experiência é real, mas tem origem no cérebro. Episódios frequentes, sono pouco reparador ou sonolência diurna intensa justificam uma consulta de medicina do sono.
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