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CASO Nº0665 Lenda Local

Proteções tradicionais contra súcubos: o que se fazia para guardar o sono

Durante séculos, quem temia a visita de uma súcuba não ficava de braços cruzados. Da Babilónia às aldeias da Europa cristã, desenvolveu-se um verdadeiro arsenal de amuletos, orações e gestos para proteger o quarto e a cama.
Entre os objetos mais antigos estão as chamadas taças de encantamento, peças de cerâmica encontradas na Mesopotâmia e datadas, em grande parte, entre os séculos V e VII. Tinham inscrições em aramaico, muitas vezes em espiral, e eram enterradas de boca para baixo sob as casas para "prender" demónios, entre eles Lilith e as suas seguidoras.
Na Europa cristã, a proteção passava sobretudo pela oração. O Salmo 91, que fala em não temer "o terror da noite", era recitado antes de dormir. Invocava-se o arcanjo São Miguel, colocava-se um crucifixo à cabeceira e aspergia-se a cama com água benta. Os tratados de exorcismo recomendavam ainda a confissão e a comunhão frequentes.
A cultura popular acrescentou os seus próprios recursos:
• ferro junto à cama, como uma tesoura aberta ou uma faca;
• sal espalhado no parapeito da janela ou à entrada do quarto;
• ramos de alecrim, arruda ou alho benzidos;
• dormir de lado e nunca de barriga para cima;
• evitar ceias pesadas e pensamentos "impuros" antes de adormecer.
Na tradição judaica, os amuletos com os nomes dos anjos Senoy, Sansenoy e Semangelof eram usados sobretudo para proteger as crianças de Lilith, mas a lógica era a mesma: nomear o protetor para afastar o intruso.
Vale a pena olhar para estas práticas com respeito, sem as confundir com tratamento. Muitas delas, como dormir de lado ou não jantar demasiado, coincidem curiosamente com conselhos atuais para reduzir episódios de paralisia do sono. Se as noites difíceis forem frequentes, porém, a melhor proteção é uma conversa com o médico.
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