Na Escandinávia de outros tempos, quem acordava a meio da noite sem ar, com um peso sobre o peito, sabia exatamente quem culpar: a mara. Este espírito noturno é tão antigo que deixou marcas em várias línguas europeias até hoje.
A palavra está na origem do inglês "nightmare" e do francês "cauchemar". Em sueco e norueguês, "mara" continua associada aos pesadelos, e o termo "mareritt" (literalmente "cavalgada da mara") designa ainda hoje um sonho mau em norueguês. A imagem é clara: a criatura montava quem dormia como se montasse um cavalo.
Uma das referências literárias mais antigas está na "Saga dos Ynglingos", escrita por Snorri Sturluson no século XIII. Conta-se ali que o rei Vanlandi morreu durante o sono, esmagado por uma mara enviada por feitiçaria. A narrativa é lendária, mas mostra que a crença já era antiga quando foi posta por escrito.
A mara nem sempre era um ser totalmente sobrenatural. Em muitas regiões acreditava-se que era a alma de uma mulher viva, por vezes uma vizinha, que saía do corpo durante a noite sem saber. Havia também quem dissesse que atormentava animais: cavalos encontrados de manhã suados e com as crinas emaranhadas eram sinal de que a mara os tinha montado.
Para se protegerem, as pessoas colocavam objetos de ferro ou facas junto à cama, viravam os sapatos com as pontas para fora ou penduravam pedras furadas nos estábulos. Conta-se também que chamar a mara pelo nome a fazia fugir.
A semelhança com a Pesadeira portuguesa é evidente e não é coincidência. Os investigadores do sono reconhecem nestas descrições os sintomas típicos da paralisia do sono. Cada povo deu-lhe um nome; os escandinavos chamaram-lhe mara, e o nome sobreviveu nas palavras que ainda usamos para falar de pesadelos.
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