A palavra "súcubo" é latina, mas a ideia de um espírito feminino que seduz e enfraquece os homens encontra-se em quase todos os continentes. Cada cultura deu-lhe um rosto próprio, moldado pelos seus medos e paisagens.
Na antiga Mesopotâmia falava-se das "lilītu", espíritos da noite ligados ao vento e ao desejo, considerados antecessores de Lilith. Na Grécia, as empusas e as lâmias assumiam a forma de mulheres belas para atrair jovens e alimentar-se da sua força ou do seu sangue.
Na China, as histórias de espíritos-raposa, os "huli jing", contam como estas criaturas se transformavam em mulheres encantadoras e drenavam a energia vital dos homens com quem viviam. No Japão, a "kitsune" tem lendas semelhantes, embora nem sempre com intenção maligna.
Na Irlanda, a "leanan sídhe" é uma amante-fada que inspira poetas e artistas, mas lhes consome a vida. W. B. Yeats registou esta crença nas suas recolhas de contos populares irlandeses, publicadas em 1888.
Na América Central, a Siguanaba aparece aos homens que andam sozinhos de noite, sempre de costas e com longos cabelos. Quando se volta, conta-se que revela um rosto aterrador, por vezes de caveira ou de cavalo, e que deixa a vítima perdida ou enlouquecida.
Nos países eslavos, as "rusalki" são espíritos femininos das águas que atraem os jovens para rios e lagos. Não são súcubos no sentido estrito, mas partilham a combinação de beleza, sedução e perigo.
O que une todas estas figuras é um padrão muito humano: o receio do desejo que não se controla e da noite como território de forças estranhas. Os antropólogos veem nesta repetição um reflexo de experiências universais, como os sonhos e a paralisia do sono, interpretadas por cada povo à sua maneira.
CASO Nº0662
Lenda Local
Súcubos no folclore pelo mundo: as sedutoras da noite em várias culturas
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