Lilith ficou com a fama, mas não reinava sozinha. Nas tradições judaicas mais tardias, sobretudo na Cabala, outras figuras femininas partilharam com ela o título de rainhas dos demónios. Duas delas destacam-se: Naamah e Agrat bat Mahlat.
A história de Naamah começa de forma inocente. No livro do Génesis (4:22), é apenas mencionada como irmã de Tubalcaim, descendente de Caim. O texto não diz mais nada, e foi precisamente esse silêncio que alimentou a imaginação dos comentadores. Alguns midrashim associaram-na à beleza e ao canto; o "Zohar" foi mais longe e descreveu-a como uma sedutora que teria desencaminhado seres celestes e que visitava os homens durante o sono.
Agrat bat Mahlat tem uma origem diferente, já no Talmude babilónico. No tratado Pesachim (112b), conta-se que saía nas noites de quarta-feira e de sábado com uma hoste de anjos destruidores, e que por isso era perigoso andar sozinho nessas noites. O mesmo texto narra o encontro com o sábio Hanina ben Dosa, que a teria obrigado a respeitar certos limites.
O nome "Mahlat" também tem eco bíblico: Maalate é o nome de uma filha de Ismael que casou com Esaú (Génesis 28:9). Alguns autores sugerem ligações entre as duas, mas trata-se de interpretação e não de facto estabelecido.
No século XIII, o "Tratado da Emanação da Esquerda", atribuído ao cabalista Isaac ha-Kohen, organizou estas figuras numa espécie de corte infernal, ao lado de Lilith. Tradições posteriores falam de quatro rainhas, incluindo Eisheth Zenunim.
Para a espiritualidade judaica, estas personagens funcionavam como avisos morais sobre o desejo e o perigo da noite. Para o leitor atual, são a prova de que o mito da súcuba é bem mais rico e antigo do que o nome latino sugere.
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