Do ecrã grande à consola, a súcuba encontrou no entretenimento moderno um terreno fértil. A figura medieval da tentadora noturna foi reinventada vezes sem conta, umas vezes como vilã, outras como heroína, quase sempre com um pé no mito antigo.
No cinema, um dos casos mais citados é "Jennifer's Body" (2009), realizado por Karyn Kusama com argumento de Diablo Cody. A personagem de Megan Fox, depois de um ritual falhado, passa a alimentar-se dos rapazes da sua escola. O filme não usa a palavra como rótulo oficial, mas a crítica descreve-a com frequência como uma súcuba moderna. Décadas antes, o realizador Jesús Franco assinou "Succubus" (1968), um filme de culto europeu que joga com sonho e sedução.
Na televisão, a série canadiana "Lost Girl", estreada em 2010, pôs uma súcuba no papel principal: Bo, uma mulher que descobre alimentar-se da energia de outras pessoas e que tenta usar esse dom sem fazer mal a ninguém. É um bom exemplo de como o mito foi virado do avesso, com a criatura temida a tornar-se protagonista simpática.
Nos videojogos, a presença é ainda maior. A saga "Castlevania: Symphony of the Night" (1997) inclui uma Súcuba como adversária. Em "World of Warcraft", os bruxos podem invocar uma súcuba como criatura aliada. "The Witcher 3" tem um contrato, "Deadly Delights", centrado numa súcuba em Novigrad, onde o jogador pode escolher entre matá-la ou poupá-la. E em "Diablo IV" (2023) a antagonista principal é Lilith, a figura que a tradição apresenta como mãe dos súcubos.
Há ainda Morrigan, da série de luta "Darkstalkers", da Capcom, uma súcuba que se tornou um dos rostos mais reconhecíveis da personagem no Japão e fora dele.
Estas versões pouco têm de rigor folclórico, mas mostram algo curioso: um demónio nascido do medo medieval continua a vender bilhetes e jogos no século XXI.
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