É uma das dúvidas mais comuns de quem começa a ler sobre demonologia: íncubo e súcubo são o mesmo ser ou criaturas diferentes? A resposta curta é que a tradição os tratou quase sempre como duas faces da mesma ideia, mas com papéis bem distintos.
A primeira diferença está no próprio nome. "Íncubo" vem do latim "incubare", deitar-se sobre; "súcubo" deriva de "succubare", deitar-se por baixo. As palavras descrevem a posição do demónio em relação à pessoa que dorme, e daí nasceu a divisão clássica: o íncubo tem aparência masculina e visita mulheres, o súcubo (ou súcuba) tem aparência feminina e procura homens.
A segunda diferença tem a ver com a forma como eram descritos. O íncubo surgia muitas vezes como um peso, uma sombra ou um desconhecido de feições vagas. A súcuba, pelo contrário, foi retratada com muito mais pormenor: uma mulher de beleza irresistível, por vezes com traços que a denunciavam, como pés de animal ou olhos estranhos.
Há ainda uma terceira diferença, esta teológica. Alguns autores medievais, entre eles Tomás de Aquino, admitiam que o mesmo demónio podia assumir as duas formas: primeiro como súcubo, junto de um homem, depois como íncubo, junto de uma mulher. Nesta visão, os demónios não tinham sexo próprio; apenas "vestiam" um corpo aparente conforme o objetivo.
Nas consequências atribuídas também havia distinção. Do íncubo dizia-se que podia gerar filhos, e lendas célebres, como a do mago Merlim, contavam que certas figuras teriam nascido dessas uniões. Da súcuba temia-se sobretudo o esgotamento: o homem visitado ficaria fraco, pálido e sem vontade.
Hoje, investigadores do sono explicam boa parte destes relatos com a paralisia do sono e os sonhos vívidos da fase REM. Mas, no plano das crenças, a diferença mantém-se: o íncubo pesa, a súcuba seduz.
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