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CASO Nº0649 Confirmado

As lilītu: as súcubas da antiga Mesopotâmia

Muito antes de a Europa falar de súcubos, os escribas da Mesopotâmia já escreviam sobre espíritos femininos da noite que perturbavam os homens. Chamavam-lhes "lilītu", e fazem parte de um dos grupos de demónios mais antigos de que há registo escrito.
Os textos sumérios e acádios falam de um trio: o "lilû", de forma masculina, a "lilītu", feminina, e a "ardat-lilî", literalmente "a jovem do lilû". Estavam associados ao vento e à tempestade, e o seu nome foi muitas vezes ligado ao ar e aos espaços desolados.
A figura mais inquietante é a ardat-lilî. Segundo os estudiosos, era imaginada como uma jovem que morrera sem ter conhecido o casamento nem ter tido filhos, e que por isso vagueava à procura de homens, entrando nas casas pelas janelas. O desejo que não se cumpriu em vida transformava-a numa ameaça para os vivos — uma ideia que ecoa de forma clara nos súcubos posteriores.
Para se protegerem, os mesopotâmios recorriam a sacerdotes especializados em rituais de exorcismo, a encantamentos gravados em tábuas de barro e a amuletos. Muitos destes textos chegaram até nós e são hoje estudados por assiriólogos.
É desta tradição que muitos investigadores fazem derivar a Lilith hebraica, que aparece uma única vez na Bíblia, no livro de Isaías. A ligação é aceite por muitos especialistas, mas os pormenores continuam a ser discutidos. O mesmo acontece com o célebre Relevo Burney, uma placa de barro com uma figura feminina alada exposta no Museu Britânico: durante muito tempo foi identificada com Lilith, mas hoje muitos estudiosos preferem ver nela uma deusa, como Ishtar ou Ereshkigal.
O que é certo é que as lilītu mostram como o medo das visitas noturnas é antigo. Há quase quatro mil anos, alguém já acordava de noite com a sensação de ter sido visitado — e já procurava palavras para lhe dar nome.
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