À primeira vista parecem experiências opostas. Numa, a pessoa sente um ser a esmagá-la contra a cama; na outra, sente-se a flutuar, livre, a ver o próprio corpo de cima. Mas quem estuda o sono sabe que as duas aparecem muitas vezes lado a lado — por vezes na mesma noite.
O psicólogo canadiano J. Allan Cheyne, que recolheu milhares de relatos de paralisia do sono, propôs agrupar as experiências em três tipos. O primeiro é o "intruso": a sensação de presença, sons, sombras. O segundo, a que chamou precisamente "íncubo", inclui o peso no peito, a falta de ar e a sensação de ataque físico. O terceiro reúne as "experiências corporais invulgares": flutuar, cair, rodar e sair do corpo.
Ou seja, a ciência coloca o íncubo e a experiência fora do corpo na mesma família de fenómenos, todos ligados ao momento em que o cérebro está entre o sonho e a vigília. A diferença é a forma como a experiência se organiza e, sobretudo, como é vivida: com terror ou com fascínio.
Há também pistas no cérebro. Em 2002, uma equipa de neurocientistas liderada por Olaf Blanke publicou na revista Nature o caso de uma doente em quem a estimulação elétrica de uma zona do cérebro, junto à junção temporoparietal, provocava a sensação de sair do corpo. Anos depois, a mesma linha de investigação conseguiu induzir em laboratório a sensação de uma presença atrás da pessoa.
As tradições espirituais leem as coisas de outra maneira. Para quem pratica a projeção astral, as vibrações, os zumbidos e a paralisia que antecedem a saída do corpo são um sinal de que a consciência se está a separar. E as "presenças" encontradas nesse estado seriam habitantes reais de outros planos — nem sempre amigáveis.
Seja qual for a explicação, há uma lição comum: o medo muda tudo. Muitas pessoas que aprenderam a manter a calma durante a paralisia descrevem que o "íncubo" dá lugar à sensação de flutuar. O mesmo estado, visto de outro ângulo, pode ser um pesadelo ou uma viagem.
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