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CASO Nº0637 Em Investigação

Exorcismo e íncubos: o que diz realmente a Igreja Católica

Quando alguém acredita estar a ser visitado por um íncubo, é comum pensar logo num exorcismo. Mas qual é, de facto, a posição da Igreja Católica? A resposta é mais prudente do que muitos filmes fazem crer.
Historicamente, a teologia católica discutiu os íncubos com seriedade. Santo Agostinho, em "A Cidade de Deus", referiu que eram tantos os relatos sobre estes seres que seria atrevimento negá-los. São Tomás de Aquino tratou a questão na "Suma Teológica", e em 1484 a bula "Summis desiderantes affectibus", do Papa Inocêncio VIII, mencionou pessoas que se entregavam a íncubos e súcubos. Este documento acabou por ser usado para dar força ao "Malleus Maleficarum", o famoso manual contra a bruxaria.
Hoje, porém, o Catecismo da Igreja Católica não fala em íncubos. Fala do exorcismo em termos gerais e deixa uma advertência clara: antes de qualquer exorcismo é preciso ter a certeza de que se trata de uma presença maligna e não de uma doença, sobretudo psíquica, cujo tratamento cabe à medicina.
O ritual também mudou. Durante séculos foi usado o Ritual Romano de 1614; em 1999, a Santa Sé publicou um novo rito de exorcismo, revisto após o Concílio Vaticano II. O Código de Direito Canónico determina que só um sacerdote com autorização expressa do bispo pode realizar um exorcismo solene. Na prática, as dioceses que têm exorcistas nomeados pedem normalmente avaliação médica e psicológica antes de avançar.
Os sinais tradicionais de possessão, descritos no ritual antigo, eram muito específicos: falar línguas desconhecidas, revelar coisas ocultas ou mostrar uma força fora do comum. Sonhos perturbadores ou uma sensação de presença durante a noite, por si só, não entram nessa lista.
Para quem vive estas experiências, a Igreja propõe normalmente um caminho mais simples: a oração, os sacramentos, a bênção da casa e o acompanhamento espiritual. E, quando os episódios são frequentes ou angustiantes, recomenda também procurar um médico — um conselho que fé e ciência, neste caso, partilham.
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