Início Pesquisa Favoritos Entrar
← Paranormal no Mundo
CASO Nº0635 Lenda Local

O Alp: o íncubo do folclore alemão que se senta no peito de quem dorme

Em alemão, a palavra para pesadelo é "Alptraum" — literalmente, "sonho do Alp". E a sensação de sufoco que por vezes acompanha o sono ainda hoje se chama "Alpdrücken", a "pressão do Alp". A língua guardou a memória de uma criatura que, durante séculos, assombrou os quartos da Europa Central.
O nome tem a mesma raiz germânica do inglês "elf", o elfo. Mas o Alp pouco tinha de encantador. Segundo o folclore, era um ser masculino que entrava de noite nas casas, subia para a cama e se sentava sobre o peito de quem dormia, sobretudo mulheres, provocando sonhos terríveis, falta de ar e a impossibilidade de se mexer. Em muitas versões, as suas visitas tinham também um carácter sexual, o que o aproxima dos íncubos da demonologia cristã.
Um dos pormenores mais curiosos é o chapéu. Conta-se que o Alp usava uma "Tarnkappe", um barrete mágico que o tornava invisível e lhe dava os seus poderes. Quem conseguisse tirar-lho teria o ser à sua mercê, e o Alp prometeria recompensas para o recuperar. Podia ainda mudar de forma e surgir como gato, cão, cobra, pássaro ou até uma borboleta branca.
A tradição também explicava quem se tornava Alp. Em algumas regiões dizia-se que certas crianças estavam destinadas a sê-lo por causa de acontecimentos durante a gravidez ou o parto, e que as pessoas com as sobrancelhas unidas eram suspeitas. O Alp confunde-se ainda com outras figuras aparentadas, como a Mahr ou a Drude, igualmente acusadas de "montar" quem dorme.
Para se defenderem, as famílias recorriam a objetos de ferro ou aço, a uma cruz, a uma vassoura junto à cama, a tapar o buraco da fechadura ou a manter uma luz acesa durante a noite.
Os estudiosos do folclore veem no Alp uma das muitas formas que a Europa encontrou para dar rosto à paralisia do sono. Uma experiência universal, contada com o sotaque de cada terra — e que, na Alemanha, acabou por dar nome ao próprio pesadelo.
Marcar como útil · 0
Guardar
Denunciar

0 respostas

Ainda ninguém respondeu. Sê a primeira pessoa a comentar.

Viveste algo parecido?

Partilha o teu relato. Anónimo se preferires, real sempre.

Enviar relato