Porque é que tantas pessoas, em épocas e lugares tão diferentes, descrevem o mesmo visitante na escuridão? Esta pergunta intrigou vários investigadores da mente, e as respostas que deram ajudam a olhar para o íncubo de outra forma.
Uma das primeiras abordagens veio da psicanálise. Em 1931, o psicanalista galês Ernest Jones, colaborador próximo de Freud, publicou "On the Nightmare", um estudo sobre o pesadelo e as criaturas que o povoam, como íncubos, vampiros e lobisomens. Para ele, estas figuras seriam projeções de desejos reprimidos e de conflitos ligados à sexualidade e à culpa. A teoria é hoje vista como muito datada, mas teve o mérito de levar o tema a sério.
Nos anos 80, o folclorista norte-americano David Hufford trouxe outra perspetiva. No livro "The Terror That Comes in the Night", de 1982, estudou a tradição da "Old Hag" na Terra Nova e concluiu que a experiência era surpreendentemente semelhante em pessoas que nunca tinham ouvido falar da lenda. Isso sugeria que a vivência vinha primeiro, e a cultura depois dava-lhe um nome.
A psicologia atual combina estas pistas com o conhecimento do sono. Quando o cérebro deteta imobilidade e perigo ao mesmo tempo, os sistemas de alarme disparam e tendem a procurar uma causa: um intruso. A imaginação completa o resto com as imagens que cada pessoa carrega — um demónio para uns, uma sombra ou uma velha para outros.
A culpa e o stress podem influenciar o conteúdo destes episódios. Pessoas em fases de ansiedade, luto ou conflitos emocionais relatam muitas vezes visões mais intensas. Isto não significa que estejam a "inventar", mas que a mente usa o material que tem à mão.
Perceber estes mecanismos pode ser libertador. Saber que o medo alimenta a visão ajuda muitas pessoas a não entrar em pânico. E se a ansiedade ou o medo de dormir se tornarem constantes, falar com um psicólogo ou com um médico pode ser um passo muito importante.
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