Quem conta ter recebido uma visita noturna raramente fala da meia-noite. Na maior parte dos relatos, o episódio acontece a meio da madrugada ou já perto do amanhecer. Porquê essa hora?
A tradição tem as suas respostas. Em muitas culturas, a madrugada é o momento em que o mundo está mais silencioso e as defesas humanas mais baixas. Na crença popular, as horas entre as três e as quatro são por vezes chamadas "a hora morta" ou "a hora do Diabo", uma ideia que circula muito hoje em dia e que algumas pessoas explicam como uma inversão das três da tarde, hora tradicional da morte de Cristo. Convém dizer que se trata de uma crença popular, não de uma doutrina da Igreja.
Também se dizia que os espíritos da noite tinham de partir ao cantar do galo, o que tornava as últimas horas antes do amanhecer as mais "ativas". Nas aldeias, era comum ouvir que as almas e os seres noturnos andavam soltos até à primeira luz.
A ciência aponta para uma razão mais concreta: a arquitetura do sono. Ao longo da noite passamos por vários ciclos, e na segunda metade o sono REM, a fase dos sonhos mais vívidos, ocupa cada vez mais tempo. Como a paralisia do sono acontece precisamente nas transições do REM para a vigília, é normal que os episódios se concentrem nas horas finais da noite.
Há ainda outros fatores. De madrugada acordamos com mais facilidade, por barulho, frio ou vontade de ir à casa de banho, e cada despertar parcial é uma oportunidade para o cérebro "acordar" antes do corpo. O cansaço acumulado e horários irregulares aumentam este risco.
Isto explica também porque é que quem dorme pouco durante a semana e tenta "recuperar" ao fim de semana fala mais destas experiências.
Se os episódios forem frequentes, uma rotina de sono regular pode fazer maravilhas. E se forem acompanhados de muita sonolência durante o dia, vale a pena falar com um médico.
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