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CASO Nº0630 Confirmado

O íncubo no "Dictionnaire Infernal" de Collin de Plancy

Se hoje procuras a imagem de um demónio antigo na internet, é muito provável que acabes por ver uma gravura do "Dictionnaire Infernal". Esta obra francesa tornou-se uma das referências mais citadas da demonologia popular, e os íncubos têm nela o seu lugar.
O autor, Jacques Collin de Plancy, publicou a primeira edição em 1818. Nessa altura era um escritor influenciado pelo espírito cético de Voltaire, e o livro tinha um tom irónico: reunia superstições, crenças e histórias de demónios sobretudo para mostrar como o povo e os eruditos do passado se tinham deixado enganar.
Com o tempo, o autor mudou profundamente. Por volta de 1830 converteu-se ao catolicismo e passou a rever o dicionário à luz da doutrina da Igreja. As edições seguintes foram corrigidas e ampliadas, e a sexta, de 1863, é a mais famosa, graças às 69 ilustrações de Louis Le Breton, que deram aos demónios um aspeto inesquecível.
No verbete dedicado aos íncubos, Collin de Plancy segue o seu método habitual: em vez de uma definição única, reúne o que diziam teólogos, demonólogos e cronistas, lembrando as discussões antigas sobre se estes demónios podiam ou não gerar filhos e as histórias que circulavam sobre eles. O leitor encontra ali, em poucas linhas, um resumo de séculos de crenças.
É importante perceber o que o dicionário é e o que não é. Não é um grimório nem um manual de magia, e também não é uma fonte histórica rigorosa segundo os padrões atuais. É uma compilação, escrita por um autor do século XIX, com as convicções e os limites do seu tempo.
Mesmo assim, o seu valor é enorme. Graças a ele, muitas tradições que estavam dispersas em tratados latinos chegaram a um público vasto. E as gravuras de Le Breton continuam a inspirar ilustradores, jogos e filmes.
Para quem se interessa pelo imaginário dos íncubos, o "Dictionnaire Infernal" é uma porta de entrada fascinante — desde que lido com espírito crítico.
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