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CASO Nº0629 Lenda Local

Amuletos usados ao longo da história contra visitas noturnas

Os museus de arqueologia estão cheios de pequenos objetos com uma função muito clara: proteger quem dorme. Olhados com atenção, contam uma história de medo noturno que atravessa milénios.
Na Mesopotâmia, eram comuns os amuletos com a cabeça de Pazuzu, um demónio temido que, paradoxalmente, era usado para afastar Lamaštu, uma entidade que ameaçava grávidas e recém-nascidos. Pendurados junto à cama ou ao pescoço, funcionavam como guarda-costas sobrenaturais.
Mais tarde, na mesma região, foram produzidas as chamadas taças de encantamento: tigelas de cerâmica com textos escritos em espiral, sobretudo em aramaico, enterradas de boca para baixo sob o chão das casas. Muitas pediam proteção contra Lilith e outros espíritos noturnos. Datam, em grande parte, dos séculos V a VII.
Na Europa, o ferro foi durante muito tempo considerado repelente de espíritos. Deixar uma faca, uma tesoura aberta ou uma ferradura junto à cama era uma forma popular de afastar seres noturnos. Em Inglaterra, as pedras com um furo natural, conhecidas como "hag stones", eram penduradas na cabeceira ou nos estábulos para impedir que as "velhas" cavalgassem pessoas e cavalos durante a noite.
No mundo católico, circularam os "Agnus Dei", pequenos medalhões de cera benzidos pelo papa, com a imagem do cordeiro, guardados como proteção contra tempestades e perigos espirituais. Crucifixos, medalhas de santos e escapulários ocupavam o mesmo lugar.
Em Portugal, a lista é longa: a figa, o signo-saimão (a estrela de seis pontas gravada em portas e objetos), raminhos de alecrim ou arruda, sal grosso nos cantos do quarto e a velha tesoura aberta contra a Pesadeira.
Do ponto de vista histórico, estes objetos não provam a existência dos seres de que protegiam. Mas mostram o quanto o descanso noturno sempre foi precioso — e como o ser humano procurou, com os meios que tinha, sentir-se seguro no escuro.
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