Início Pesquisa Favoritos Entrar
← Paranormal no Mundo
CASO Nº0626 Lenda Local

O íncubo no folclore de vários países

Se fizeres uma volta ao mundo à procura do íncubo, vais encontrá-lo com muitos nomes e muitos rostos. Umas vezes é demónio sedutor, outras é uma velha que se senta no peito, outras ainda um animal encantado. A experiência de fundo, porém, é quase sempre a mesma.
Na Escandinávia fala-se da "mara", um espírito que cavalga quem dorme. Uma saga nórdica medieval, a "Ynglinga saga", conta que o rei Vanlandi terá morrido esmagado por uma mara enviada por uma feiticeira. É desta palavra que vem o "mare" do inglês "nightmare".
Na Alemanha, o Alp era um ser noturno que pressionava o peito e provocava sonhos maus. Na Terra Nova, no Canadá, chamam-lhe "Old Hag", a Velha. Na Turquia existe o Karabasan, "o que pressiona no escuro", e no Japão a palavra "kanashibari", ligada à ideia de estar amarrado, é usada para descrever a paralisia durante o sono.
No sul do Chile, no arquipélago de Chiloé, a lenda do Trauco é talvez a mais próxima do íncubo europeu: um pequeno homem da floresta que seduz raparigas com o olhar e a quem, segundo a tradição, eram atribuídas gravidezes inexplicadas. Na Amazónia, conta-se que o boto, um golfinho do rio, se transforma em homem elegante nas noites de festa para seduzir mulheres.
Em Portugal e na Galiza, a figura dominante é a Pesadeira, e o Fradinho da Mão Furada, que entra pela fechadura para se sentar sobre quem dorme. No Brasil, a herança portuguesa deu origem à Pisadeira.
Os folcloristas notam um padrão curioso. Nas culturas em que a experiência central é o peso e a imobilidade, a criatura tende a ser uma velha ou um pequeno ser. Onde o foco está na sedução e na gravidez, surge um homem encantado.
Estas lendas também funcionavam como explicações sociais: davam nome a medos, justificavam acontecimentos difíceis e transmitiam regras de comportamento. Conhecê-las é perceber como a humanidade, em todos os continentes, tentou dar forma ao que acontece no escuro.
Marcar como útil · 0
Guardar
Denunciar

0 respostas

Ainda ninguém respondeu. Sê a primeira pessoa a comentar.

Viveste algo parecido?

Partilha o teu relato. Anónimo se preferires, real sempre.

Enviar relato