Ao longo dos séculos, os livros de demonologia e as histórias contadas de geração em geração foram compondo uma espécie de "retrato" da visita de um íncubo. Não se trata de uma lista científica, mas de um conjunto de sinais que se repetem com uma regularidade curiosa em culturas muito diferentes.
Segundo a tradição, estes são os mais referidos:
• Um peso sobre o peito ou sobre o corpo, como se alguém estivesse deitado por cima.
• Incapacidade de mexer os braços, as pernas ou de gritar.
• A sensação nítida de uma presença no quarto, muitas vezes junto à cama.
• O colchão a afundar, como se alguém se sentasse.
• Sonhos de conteúdo íntimo muito vívidos, acompanhados de medo ou confusão.
• Frio repentino, cheiros estranhos ou sons abafados.
• Cansaço profundo ao acordar, como se a noite não tivesse descansado.
Os antigos tratados acrescentavam que os íncubos preferiam visitar pessoas sozinhas, em fases de tristeza ou de isolamento, e que as visitas se repetiam em períodos de maior fragilidade emocional.
É aqui que convém ser honesto. Muitos destes sinais coincidem com o que a medicina descreve em episódios de paralisia do sono e em alucinações ao adormecer ou ao acordar. Pressão no peito, imobilidade e sensação de presença são precisamente os sintomas mais relatados nesses momentos. O cansaço matinal pode ter causas tão diversas como stress, apneia do sono ou horários desregulados.
Isto não obriga ninguém a abandonar a sua fé ou a sua interpretação espiritual. Mas significa que vale a pena olhar para a saúde primeiro. Se estes episódios forem frequentes, se houver sonolência forte durante o dia ou se o medo de adormecer estiver a afetar a tua vida, fala com um médico. Muitas vezes, pequenas mudanças de hábitos fazem uma grande diferença.
A tradição e a ciência podem, afinal, andar lado a lado: uma ajuda a dar sentido à experiência, a outra ajuda a dormir melhor.
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