O mau-olhado é uma das crenças mais antigas e espalhadas do mundo. Em Portugal também se lhe chama quebranto, olho grande ou inveja. A ideia é sempre a mesma: um olhar carregado de inveja ou admiração excessiva pode "pôr" mal numa pessoa, num animal, numa planta ou até num negócio.
A crença já existia na Grécia e na Roma antigas, no Médio Oriente e no Norte de África. Os romanos usavam amuletos em forma de mão ou de figa para se protegerem; no Mediterrâneo oriental nasceu o famoso "olho turco", o nazar azul. Em Portugal, a figa e o corninho tornaram-se os amuletos mais populares.
Os sinais atribuídos ao mau-olhado são muito variados: cansaço sem explicação, dores de cabeça, bocejos constantes, tristeza repentina, azares seguidos, plantas que secam de um dia para o outro. Nas crianças pequenas, dizia-se que se notava pelo choro sem motivo, pela falta de apetite e pela moleza.
Para descobrir se havia quebranto, as benzedeiras usavam o teste do azeite: deitavam umas gotas num prato com água enquanto rezavam. Se o azeite se espalhasse ou desaparecesse, havia mau-olhado; se as gotas ficassem redondas e inteiras, a pessoa estava livre. A reza repetia-se até o azeite ficar "limpo".
Uma das fórmulas populares mais conhecidas diz: "Com dois te deram, com três te tiro, com as três pessoas da Santíssima Trindade". Outras invocam São Pedro, São Paulo ou a Virgem Maria, e acabam com um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
Para proteção, a tradição recomenda trazer uma figa ou um pequeno corno vermelho, pôr um raminho de arruda ou alecrim em casa, colocar uma ferradura atrás da porta ou um copo de água com sal num canto da sala.
Superstição para uns, fé para outros, o mau-olhado continua bem presente nas conversas portuguesas — e poucos resistem a dizer "Deus o abençoe" quando elogiam um bebé.
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