A expressão "anda como uma alma penada" ainda se usa em Portugal para descrever alguém inquieto e perdido. Mas, na tradição popular, uma alma penada é algo muito mais sério: o espírito de um morto que não conseguiu seguir o seu caminho e continua preso ao mundo dos vivos.
Segundo as crenças católicas populares, as almas penam por várias razões. As mais comuns são as promessas que ficaram por cumprir em vida — uma romaria, uma missa, uma esmola — as dívidas por pagar, os segredos guardados, as mortes violentas ou repentinas e a falta de sepultura cristã. Enquanto essa pendência não for resolvida, a alma não encontra descanso.
Os relatos da sua presença são muito parecidos em todo o país: passos na casa vazia, portas que batem, objetos que mudam de lugar, luzes estranhas junto aos caminhos, lamentos durante a noite ou a sensação de alguém a respirar ao lado. Em muitas aldeias acreditava-se que a alma aparecia a um familiar ou vizinho para lhe pedir que cumprisse, em seu nome, aquilo que ficou por fazer.
Daqui nasce o grande culto das almas em Portugal. As alminhas — pequenos nichos com pinturas das almas no Purgatório, espalhados por estradas e encruzilhadas, sobretudo no Norte — convidam quem passa a rezar e a deixar uma esmola. As missas pelas almas, os responsos e as velas acesas no Dia de Fiéis Defuntos, a 2 de novembro, têm o mesmo propósito: ajudar os mortos a encontrar a paz.
Para o espiritismo, as almas penadas correspondem a espíritos "presos" à matéria, muitas vezes sem perceberem que já morreram. Para a psicologia, estas experiências podem estar ligadas ao luto, à culpa e à sugestão.
Seja qual for a explicação, a tradição deixa um conselho que atravessa gerações: lembrar os mortos, cumprir as promessas e não deixar contas por acertar — neste mundo ou no outro.
CASO Nº0609
Não Resolvido
Almas penadas: porque é que, segundo a crença, alguns mortos não descansam
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