Poucas figuras do imaginário demoníaco atravessaram tantos séculos como o íncubo e o súcubo. O nome vem do latim: "incubare" significa "deitar-se sobre" e "succubare" "deitar-se por baixo". O íncubo seria um demónio de forma masculina que visita mulheres durante a noite; o súcubo, a sua versão feminina, que procura os homens adormecidos.
As raízes são muito antigas. Na Mesopotâmia já se falava de espíritos noturnos, os "lilû" e as "lilītu", que perturbavam o sono e o desejo. A tradição judaica associou este papel a Lilith, e a Europa cristã da Idade Média transformou-os em demónios bem definidos. Santo Agostinho admitiu que estas histórias eram tão frequentes que seria imprudente negá-las, e Tomás de Aquino discutiu-as na sua obra teológica.
No século XV, o célebre "Malleus Maleficarum" (1486), o manual usado por inquisidores na caça às bruxas, dedicou-lhes capítulos inteiros. Acreditava-se que as bruxas tinham pactos com íncubos e que estes encontros eram prova de feitiçaria — uma crença que custou a vida a muitas pessoas inocentes.
Os relatos repetem-se com uma semelhança impressionante: a pessoa acorda de noite, sente um peso enorme sobre o corpo, não se consegue mexer nem gritar e tem a nítida sensação de uma presença no quarto, por vezes com carácter sexual. Muitos descrevem medo intenso e uma sombra junto à cama.
Hoje, a medicina reconhece neste quadro os sintomas da paralisia do sono, acompanhada de alucinações hipnagógicas (ao adormecer) ou hipnopômpicas (ao acordar). O cérebro desperta, mas o corpo continua na paralisia natural da fase REM — e a mente, em pânico, "cria" o intruso.
Ainda assim, para muitas tradições espirituais estas visitas continuam a ser vistas como ataques reais. Entre a ciência e a fé, o íncubo e o súcubo permanecem como um dos mistérios mais antigos da noite humana.
CASO Nº0605
Em Investigação
Íncubos e súcubos: os demónios que, segundo a tradição, atacam durante o sono
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