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CASO Nº0602 Em Investigação

Fernando Pessoa e o oculto: o poeta que dizia receber versos do além

Poucos sabem que o maior poeta português foi também um estudioso sério do oculto. Fernando Pessoa dedicou-se à astrologia, chegando a traçar centenas de mapas astrais, e praticava escrita automática — sentava-se, deixava a mão correr sobre o papel e afirmava receber mensagens de "comunicadores" do outro lado. Nos seus escritos privados descreve experiências de mediunidade, presenças e visões que dizia não controlar, e manteve correspondência com ocultistas de renome, entre eles Aleister Crowley. Para Pessoa, os heterónimos — Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro — eram quase entidades autónomas que "apareciam" e ditavam versos, algo que ele próprio comparava a fenómenos mediúnicos. Entre a genialidade literária e o mistério, a ligação de Pessoa ao invisível continua a intrigar investigadores — e faz de Lisboa, a sua cidade, um lugar impregnado de esoterismo.
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