Erguido numa pequena ilha no meio do rio Tejo, o Castelo de Almourol é um dos monumentos mais deslumbrantes e enigmáticos de Portugal. A sua localização improvável, rodeado de água, e a sua ligação à Ordem dos Templários fizeram dele um íman para lendas de amores impossíveis, mouras encantadas e mistérios adormecidos.
O castelo tem origens muito antigas e foi reconstruído no século XII pelos Templários, no contexto da defesa da linha do Tejo durante a Reconquista. A sua função militar era clara, mas foi a imaginação popular que o transformou, ao longo dos séculos, num cenário de contos e lendas românticas.
A mais famosa é uma lenda de amor. Conta-se a história de um velho guardião do castelo e de uma jovem cativa, ou de um cavaleiro e de uma moura encantada, cujo amor impossível terá terminado em tragédia. Diz a tradição que, em certas noites, ainda se ouvem lamentos e se vê uma figura feminina junto às muralhas, presa eternamente àquele amor não concretizado. As versões variam, mas o núcleo romântico e melancólico mantém-se.
À lenda de amor juntam-se, como em quase todos os castelos ligados aos Templários, histórias de tesouros escondidos, passagens secretas e conhecimentos ocultos guardados pela Ordem. A aura de mistério dos Templários, envoltos em segredo e associados a lendas em toda a Europa, contagia naturalmente Almourol.
Separar o histórico do lendário é, também aqui, um desafio. O que a história confirma é a importância militar do castelo e a sua ligação aos Templários; o resto pertence ao belíssimo território das lendas. E é essa mistura que, ao entardecer, com a bruma a subir do rio, faz de Almourol um dos lugares mais mágicos de Portugal.
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