As ruínas do Mosteiro de Santa Maria de Seiça, na Figueira da Foz, erguem-se como um cenário saído de um filme de terror. Cobertas de heras, com a torre solitária a recortar-se contra o céu, são hoje um dos locais mais fotografados e mais falados de quem procura o lado sobrenatural do centro de Portugal.
A lenda que envolve o mosteiro remonta a tempos de peste. Conta-se que, durante um dos surtos que assolaram a Europa, dezenas de religiosos que ali viviam terão sido dizimados pela doença, morrendo isolados entre aquelas paredes. Os seus espíritos, segundo a tradição, nunca abandonaram por completo o lugar que foi a sua casa e o seu túmulo.
Visitantes e investigadores relatam fenómenos recorrentes: quebras súbitas de temperatura em determinadas zonas, sensação de serem observados, sombras que atravessam os arcos derruídos e sons abafados, como cânticos ou murmúrios, sobretudo ao entardecer. O silêncio pesado das ruínas amplifica cada ruído e alimenta a sensação de presença.
Do ponto de vista racional, um mosteiro em ruínas reúne todos os ingredientes para inquietar. A acústica dos espaços vazios distorce o vento e os passos, a degradação cria formas ambíguas na penumbra e o conhecimento prévio da história trágica predispõe a mente a interpretar tudo à luz do sobrenatural.
Ainda assim, a combinação entre a beleza melancólica das ruínas e o peso da sua história faz do Mosteiro de Seiça um íman para quem investiga o paranormal. É um local que merece ser visitado com respeito — pela sua fragilidade e pela memória de quem ali viveu e morreu.
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