A parapsicologia é frequentemente mal compreendida. Muitos confundem-na com esoterismo ou charlatanice, quando, na sua origem, se pretendia como o estudo científico de fenómenos alegadamente paranormais. Vale a pena perceber o que é, o que estuda e por que razão continua numa posição tão controversa perante a ciência estabelecida.
O termo designa a investigação de fenómenos que, a existirem, ultrapassariam as leis conhecidas da física e da psicologia. Entre eles estão a telepatia (comunicação mente a mente), a clarividência (perceção de informação sem os sentidos), a precognição (conhecimento do futuro) e a psicocinésia (influência da mente sobre a matéria). Coletivamente, estas capacidades são muitas vezes designadas por "psi".
A partir do início do século XX, alguns investigadores tentaram estudar estes fenómenos com métodos laboratoriais. Ficaram célebres as experiências com cartas especiais, em que se testava a capacidade de adivinhar símbolos, e mais tarde estudos com geradores de números aleatórios e protocolos controlados. O objetivo era submeter o "psi" ao mesmo escrutínio de qualquer outra hipótese científica.
O problema central, apontado pela comunidade científica, é a falta de reprodutibilidade. Para ser aceite, um resultado tem de poder ser repetido de forma consistente por investigadores independentes. Os alegados efeitos psi tendem a ser ténues, inconstantes e a desaparecer sob controlos mais rigorosos, além de a área ter sido marcada por casos de fraude e de metodologia frágil. Por isso, a ciência dominante não reconhece a existência destes fenómenos.
Os parapsicólogos mais sérios reconhecem estas dificuldades e distinguem-se dos charlatães precisamente pela disposição de testar, duvidar e publicar resultados negativos. É essa atitude — o método, e não o objeto de estudo — que separa a investigação honesta da pseudociência que apenas procura confirmar crenças.
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