No dia 1 de novembro de 1755, dia de Todos os Santos, Lisboa foi destruída por um dos maiores desastres naturais da história europeia. Um violento terramoto, seguido de um tsunami e de incêndios que duraram dias, matou dezenas de milhares de pessoas e reduziu a ruínas uma das mais ricas capitais da Europa. Para além da tragédia histórica, o evento ficou envolto em presságios, interpretações religiosas e mistérios que ainda hoje fascinam.
O terramoto ocorreu numa manhã de grande festa religiosa, com as igrejas cheias de fiéis e milhares de velas acesas — o que contribuiu para os incêndios que se seguiram. A coincidência com um dia santo levou muitos, na época, a interpretar a catástrofe como um castigo divino, um sinal da ira de Deus sobre a cidade. Este debate teológico e filosófico marcou profundamente o pensamento europeu do século XVIII.
A tradição popular guardou também inúmeros relatos de presságios. Fala-se de animais inquietos nos dias anteriores, de águas de poços e nascentes que baixaram ou se turvaram, e de comportamentos estranhos na natureza — sinais que a ciência moderna associa, em parte, a fenómenos geológicos que por vezes precedem os grandes sismos, e que os animais parecem detetar antes de nós.
O tsunami que se seguiu ao abalo trouxe outro elemento perturbador. Muitos lisboetas, tendo fugido dos edifícios em ruína para os espaços abertos junto ao rio, foram apanhados pela subida súbita das águas. Testemunhas descreveram o recuo anormal do mar momentos antes da onda gigante, um sinal hoje reconhecido, mas então incompreendido.
Do desastre nasceu, contudo, algo notável: a reconstrução racional e planeada da Baixa por Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal, e um dos primeiros esforços de estudo científico e sistemático de um terramoto, através de inquéritos enviados a todo o país. A tragédia tornou-se, assim, um marco na passagem da explicação sobrenatural para a compreensão científica dos fenómenos.
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CASO Nº0485
Lenda Local
O Terramoto de 1755: presságios e mistérios do dia que abalou Lisboa
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