Entre as vilas elegantes do Estoril, o chamado Castelinho de São Jorge destaca-se pela sua arquitetura peculiar e por uma lenda que atravessa gerações. Fala-se de uma menina cega que ali terá vivido e falecido ainda em criança, e cujo espírito nunca deixou a casa.
Segundo os relatos que circulam na zona, a pequena aparece por vezes junto às janelas ou no jardim, sempre acompanhada de uma boneca de trapos que apertava contra o peito. Testemunhas descrevem uma figura infantil de vestido antigo, que surge por instantes e desaparece assim que se tenta olhar diretamente para ela. Há quem diga ter ouvido o riso de uma criança em divisões vazias e passos leves a correr pelos corredores.
O detalhe da cegueira dá à lenda um tom particularmente comovente. Diz-se que a menina, que em vida dependia do tato e da audição para conhecer o mundo, continua a explorar a casa da mesma forma, tocando nas paredes e nos móveis, procurando pontos de referência num espaço que já não é o seu.
Como em tantas histórias de assombração ligadas a crianças, este relato desperta mais ternura do que medo. Os moradores da zona referem-se à menina do Castelinho com uma espécie de afeto protetor, como se se tratasse de uma presença inofensiva que apenas quer companhia.
Do ponto de vista racional, muitos destes fenómenos podem explicar-se pela sugestão, pelos ruídos naturais de uma casa antiga e pelo poder das histórias que se contam de geração em geração até ganharem vida própria. Uma vez instalada a lenda, qualquer sombra ou som acaba por ser interpretado à sua luz.
Real ou imaginada, a menina do Castelinho de São Jorge tornou-se parte do folclore do Estoril. Se conheces mais pormenores desta história ou já viveste algo semelhante na zona, partilha connosco na comunidade Portugal Paranormal.
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