O Teatro Lethes, no centro histórico de Faro, é um dos mais belos teatros à italiana de Portugal. Instalado num antigo colégio jesuíta, o edifício do século XIX é hoje um espaço cultural de referência no Algarve — e também o lar de uma das assombrações mais conhecidas da cidade.
A lenda fala de uma bailarina que ali terá atuado e que, por amor ou desgosto, terá acabado enforcada nos bastidores do teatro. Desde então, atores, técnicos e funcionários relatam fenómenos difíceis de explicar: passos no palco quando a sala está vazia, o ranger da madeira dos camarotes como se alguém se movesse por eles, e uma presença feminina que muitos dizem sentir nos ensaios noturnos.
Há quem conte ter visto uma silhueta a atravessar o palco ao fundo, luzes que oscilam sem razão aparente e cadeiras que se movem levemente na plateia deserta. Para muitos artistas que ali passaram, a bailarina do Lethes é uma companhia discreta, mais melancólica do que assustadora, quase parte do próprio teatro.
Os teatros antigos são, um pouco por todo o mundo, cenários privilegiados para histórias de fantasmas. A carga emocional das performances, a escuridão dos bastidores e a idade dos edifícios criam o ambiente perfeito para que qualquer ruído inexplicável ganhe contornos sobrenaturais na imaginação de quem os frequenta.
Quer se trate de uma alma presa ao lugar onde foi feliz e infeliz, quer de uma lenda construída ao longo de gerações de artistas, a bailarina do Teatro Lethes faz parte do imaginário de Faro. Muitos frequentadores acreditam que ela continua a assistir a cada espetáculo do seu camarote invisível.
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